Ruy Carlos Ostermann: morre aos 90 anos o mestre da palavra e da paixão pelo esporte

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O Brasil se despediu nesta sexta-feira (27) de uma das vozes mais emblemáticas do jornalismo esportivo: Ruy Carlos Ostermann, que faleceu aos 90 anos em Porto Alegre. Intelectual refinado, comentarista preciso e cronista de alma sensível, ele foi muito mais do que um homem de microfone — foi um educador da opinião pública, um pensador do futebol e um personagem essencial na construção da identidade esportiva brasileira, especialmente no Sul do país.
Ostermann estava internado desde maio no Hospital Moinhos de Vento, após complicações causadas por dengue. Mesmo com todos os cuidados médicos, seu quadro evoluiu para problemas respiratórios e infecções, o que resultou em seu falecimento. A notícia comoveu colegas, ouvintes e leitores que acompanharam por décadas seu trabalho inteligente, ponderado e apaixonado.
Ruy Carlos Ostermann: Um professor dentro e fora do estúdio
Ruy nasceu em 1934, em São Leopoldo (RS), e se formou em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Seu apelido carinhoso, “Professor”, não era apenas uma formalidade. Ele lecionou, formou gerações e usou a comunicação como uma verdadeira sala de aula pública — onde os temas eram tática, ética, política, cultura e, claro, futebol.
Ao longo da carreira, marcou presença em grandes emissoras como Rádio Gaúcha, TVE e RBS, tornando-se um dos pilares do tradicional programa “Sala de Redação”, onde sua voz firme e seu raciocínio afiado ajudaram a moldar o jornalismo opinativo no Brasil. Mas ele não falava apenas para torcedores: falava para cidadãos que viam no esporte um espelho da sociedade.
Uma obra que uniu razão e emoção
Ruy Carlos Ostermann também foi autor de livros, e entre suas obras, um título permanece na memória de muitos brasileiros: “Felipão – A Alma do Penta”. Escrito após a conquista da Copa do Mundo de 2002, o livro mergulha na personalidade de Luiz Felipe Scolari e revela bastidores emocionantes da trajetória da Seleção Brasileira rumo ao quinto título mundial.
Mais do que uma narrativa esportiva, a obra é um retrato sensível da pressão, da liderança e da brasilidade que cercam o futebol nacional. Ostermann traduziu, em palavras simples e elegantes, o sentimento de milhões de torcedores — e ao mesmo tempo ofereceu análises profundas, típicas de sua formação filosófica.
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O livro se destacou por ser acessível e, ao mesmo tempo, sofisticado. Serviu como documento histórico, como homenagem ao técnico Felipão e, sobretudo, como legado do olhar único de Ruy sobre o esporte e seus protagonistas. É uma leitura que permanece atual, especialmente em tempos em que o futebol ainda carrega um forte papel cultural no país.
Uma despedida marcada por gratidão
A morte de Ruy Carlos Ostermann representa mais do que a perda de um comentarista consagrado — é a partida de uma consciência crítica do futebol e da vida. Sua fala pausada, seu olhar generoso e sua capacidade de ouvir marcaram uma época em que o jornalismo não se fazia apenas de manchetes, mas de argumentos, reflexão e diálogo.
Ele nos ensinou que o futebol pode ser lido como poesia, como filosofia e como sociologia. Que torcer é mais do que vibrar: é entender, questionar, celebrar e, às vezes, chorar.
Ruy deixa saudade, mas também deixa uma herança imensa. Deixa livros, ideias, gravações, entrevistas. Deixa, acima de tudo, o exemplo de que é possível fazer comunicação com respeito à inteligência do público. De que é possível amar o esporte sem perder o senso crítico. E de que ouvir é, talvez, o maior dos talentos.

Apaixonada pela vida saudável, estudante e entusiasta, redatora do corpo certo.
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