Tratamento nutricional na síndrome tricohepatoentérica: como a nutrição pode transformar o prognóstico

O tratamento nutricional na síndrome tricohepatoentérica é a base para melhorar a qualidade de vida de crianças que enfrentam essa condição rara. Neste artigo, você vai entender como a nutrição pode impactar diretamente o desenvolvimento, a imunidade e até o prognóstico desses pacientes.

O tratamento nutricional na síndrome tricohepatoenterica é a base para melhorar a qualidade de vida de crianças que enfrentam essa condição rara. Neste artigo, você vai entender como a nutrição pode impactar diretamente o desenvolvimento, a imunidade e até o prognóstico desses pacientes.
Ana Lis, adepta a nutrição parenteral e portadora da doença Sídrome Tricohepatoentérica / Fonte: Instagram @Analisrosendo

Por que o tratamento nutricional na síndrome tricohepatoentérica é um divisor de águas?

A síndrome tricohepatoentérica (ou THES) é uma condição genética rara, marcada por diarreia intensa desde o início da vida, alterações no fígado, imunodeficiência e falha de crescimento. Diante de um quadro tão complexo, o tratamento nutricional se torna não apenas necessário, mas decisivo.

A maioria dos bebês diagnosticados apresenta sintomas nas primeiras semanas. A diarreia crônica, associada à má absorção intestinal, impede o ganho de peso e compromete o desenvolvimento. Por isso, o foco inicial costuma ser oferecer suporte nutricional imediato, com calorias e nutrientes na medida certa.

O primeiro passo: nutrição parenteral salva vidas

Na maioria dos casos, o intestino não é capaz de absorver nutrientes suficientes. Sendo assim, é comum que o tratamento comece com a nutrição parenteral, que é feita por via intravenosa. Essa estratégia fornece tudo o que o organismo precisa para crescer: calorias, proteínas, eletrólitos, vitaminas e minerais.

Com isso, o corpo da criança começa a responder. O ganho de peso se torna possível, o sistema imunológico começa a reagir melhor e as infecções — frequentes nesse grupo — podem se tornar menos graves. Apesar disso, o uso prolongado da nutrição parenteral exige atenção constante, principalmente pelo risco de infecções no cateter.

Alimentação pela boca? Sim, mas com cuidado

À medida que o organismo responde bem ao tratamento, muitos pacientes conseguem iniciar a transição para a alimentação enteral, feita por sonda ou, eventualmente, pela própria boca.

Essa mudança, no entanto, acontece de forma lenta. O sistema digestivo ainda é sensível, e por isso são utilizadas fórmulas especiais, com nutrientes quebrados em pequenas partes. Alimentos naturais, como purês de arroz ou legumes bem cozidos e peneirados, também entram nessa fase, sempre com acompanhamento nutricional rigoroso.

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Vale lembrar que nem todas as crianças conseguem abandonar a nutrição parenteral. Tudo vai depender do tipo da mutação genética envolvida e da resposta individual ao tratamento.

Suplementação é indispensável nesse cenário

Além da alimentação, o acompanhamento nutricional inclui o monitoramento frequente de vitaminas e minerais. Muitas dessas crianças apresentam carência de nutrientes como ferro, zinco, selênio e vitaminas A, D, E e K. Isso acontece porque a diarreia constante provoca perdas importantes, que precisam ser repostas.

A reposição é feita por via oral, enteral ou até intravenosa, dependendo da situação clínica de cada paciente. Em alguns casos, inclusive, é necessário ajustar essas doses semanalmente, de acordo com os resultados de exames laboratoriais.

E quando o fígado também sofre?

É comum que pacientes com síndrome tricohepatoenterica apresentem alterações hepáticas. Em quadros mais avançados, o fígado pode não funcionar como deveria, o que dificulta ainda mais a absorção de nutrientes e o metabolismo de medicamentos.

Em situações como essa, a equipe médica pode indicar o transplante de fígado. Embora seja uma decisão complexa, em certos casos essa intervenção permite maior qualidade de vida e melhora do quadro nutricional a longo prazo.

O tratamento nutricional pode mudar o prognóstico?

Sem dúvida. O impacto do tratamento nutricional na síndrome tricohepatoenterica vai além do ganho de peso. Com suporte adequado, muitas crianças conseguem crescer, desenvolver habilidades motoras e cognitivas e viver com mais segurança.

Ainda que alguns pacientes precisem manter o uso da nutrição parenteral por anos, o avanço da medicina nutricional tem permitido a redução da dependência total desse tipo de suporte. Em alguns casos, é possível até alcançar a autonomia alimentar, especialmente quando o diagnóstico é precoce e o acompanhamento multidisciplinar é constante.O que torna esse cuidado tão valioso?

Cuidar da nutrição de um paciente com THES é um trabalho diário e delicado. Nutricionistas, pediatras, gastroenterologistas e imunologistas precisam atuar juntos, ajustando fórmulas, reavaliando doses e observando sinais clínicos. Cada detalhe conta.

Por isso, falar em “nutrição” nesses casos vai muito além da comida. Estamos falando de sobrevivência, de crescimento e de desenvolvimento. É sobre dar ao corpo o que ele precisa para se defender, reagir e se fortalecer.

Nutrição é vida para quem enfrenta a síndrome tricohepatoentérica

O tratamento nutricional na síndrome tricohepatoenterica é, hoje, o pilar central do cuidado. Mesmo com a gravidade dos sintomas, é por meio da nutrição que se ganha tempo, saúde e qualidade de vida.

Embora o caminho não seja simples, a ciência tem mostrado que, com ajustes precisos e atenção constante, é possível transformar o curso da doença. Nutrir, nesses casos, é mais do que alimentar — é dar chance para que a vida floresça, mesmo nas condições mais desafiadoras.

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