Como os animais de estimação impactam a saúde mental? O que a ciência já sabe sobre esse vínculo poderoso

Você já percebeu como o simples ato de acariciar um cachorro ou ouvir o ronronar de um gato pode acalmar a mente em segundos? Embora pareça apenas uma sensação subjetiva, a ciência confirma: a convivência com animais de estimação tem efeitos profundos e duradouros sobre a nossa saúde mental.

Descubra como os animais de estimação ajudam a melhorar a saúde mental, aliviar o estresse, combater a solidão e até tratar transtornos como depressão.

O elo entre animais de estimação e saúde mental: uma conexão real e comprovada

Ao longo dos últimos anos, diversos estudos confirmaram o que muitos tutores já sentiam na prática: viver com um animal de estimação pode melhorar significativamente a saúde mental. Mas afinal, de que forma isso acontece?

Redução do estresse e da ansiedade no dia a dia

Diversas pesquisas revelam que interações frequentes com animais, especialmente cães e gatos, ajudam a reduzir os níveis de cortisol — o hormônio do estresse. Ao mesmo tempo, essas interações aumentam a produção de ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, responsável por promover sensações de calma, segurança e afeto.

Além disso, passear com o cachorro, por exemplo, estimula a exposição ao ar livre e a prática de atividade física moderada — dois fatores essenciais para equilibrar o humor e aliviar a ansiedade.

Combate à solidão e estímulo à socialização

Outro impacto relevante dos animais de estimação na saúde mental é a redução da sensação de solidão. Pessoas que vivem sozinhas, especialmente idosos, relatam sentir-se emocionalmente mais estáveis quando têm um pet em casa. A presença constante do animal oferece conforto, afeto e uma rotina significativa.

Mais do que isso, cães costumam estimular interações sociais. Um simples passeio no parque pode gerar conversas, trocas e até amizades entre tutores. Isso fortalece o sentimento de pertencimento e reduz o isolamento social, um dos grandes vilões da saúde mental contemporânea.

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Como os pets ajudam no tratamento de transtornos mentais

A influência positiva dos animais de estimação vai muito além do conforto emocional. Hoje, eles são amplamente reconhecidos como ferramentas terapêuticas auxiliares no tratamento de diversos transtornos mentais. Desde a depressão até o autismo, a presença de um animal pode ser parte ativa na recuperação — ou, ao menos, na melhora significativa dos sintomas.

A importância da rotina e do vínculo no combate à depressão

Pessoas diagnosticadas com depressão tendem a experimentar desânimo constante, baixa autoestima, falta de propósito e dificuldade em manter uma rotina. Nesse contexto, cuidar de um pet representa uma oportunidade concreta de se reconectar com o mundo ao redor.

Animais exigem alimentação, cuidados diários e atenção. Essas pequenas tarefas se transformam em “âncoras” que mantêm a pessoa envolvida com a vida prática. Mesmo em dias difíceis, a necessidade de cuidar do animal pode ser o impulso necessário para sair da cama, abrir as janelas e interagir com o ambiente. Isso, aos poucos, contribui para restaurar uma rotina saudável e resgatar o sentimento de utilidade e responsabilidade.

Além disso, o vínculo afetivo com o pet eleva a produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina — ambos associados à sensação de prazer, motivação e bem-estar. Essa resposta biológica, somada à companhia constante e ao afeto genuíno dos animais, pode amenizar os sintomas depressivos, principalmente em quadros leves e moderados.

Redução da ansiedade e ataques de pânico com ajuda animal

A convivência com pets — especialmente cães e gatos — tem efeitos reguladores sobre o sistema nervoso autônomo. Em momentos de ansiedade, é comum que o corpo entre em estado de alerta constante, o que causa taquicardia, respiração acelerada e tensão muscular.

O simples ato de acariciar um animal ou ouvir sua respiração pode ativar o sistema parassimpático, que induz o relaxamento e desacelera as reações fisiológicas. É por isso que muitos pacientes com ansiedade generalizada relatam uma melhora significativa ao conviver com um pet, sobretudo em momentos de crise.

Além disso, alguns cães são treinados especificamente para detectar sinais sutis de ataques de pânico iminentes. Eles conseguem identificar mudanças no cheiro, respiração ou comportamento de seus tutores e agem antes mesmo que a crise se instale, seja se aproximando, lambendo, deitando sobre a pessoa ou chamando atenção com o focinho. Esses cães são chamados de cães de serviço psiquiátrico e são reconhecidos legalmente em diversos países.

TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático): segurança e confiança através do pet

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático é caracterizado por flashbacks, hipervigilância, insônia e ansiedade extrema. Em muitos casos, a pessoa afetada sente que está em constante perigo, mesmo quando não há ameaça real.

A presença de um animal, nesse contexto, pode funcionar como um “porto seguro emocional”. Os pets ajudam a “ancorar” o indivíduo no presente, algo fundamental em momentos de dissociação ou de revivência traumática. A previsibilidade dos comportamentos dos animais também traz segurança a pessoas que vivem em estado de hipervigilância constante.

Cães de suporte para TEPT são treinados para bloquear espaços, vigiar a retaguarda, interromper episódios dissociativos, além de acordar seus tutores de pesadelos — funções extremamente úteis para veteranos de guerra, vítimas de violência urbana ou traumas severos.

Autismo e animais de estimação: uma ponte para o mundo

No caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA), os animais também desempenham um papel transformador. Crianças com autismo muitas vezes enfrentam dificuldades na comunicação, sensibilidade sensorial exacerbada, resistência à interação social e problemas de autorregulação emocional.

Diversos estudos já comprovaram que a presença de animais — em especial cães e cavalos — pode melhorar essas habilidades. Isso ocorre por várias razões:

  • Contato físico sem julgamento: O toque é importante, mas nem sempre tolerado por crianças com TEA. Com os animais, esse contato tende a ser aceito com mais facilidade, promovendo o desenvolvimento da comunicação não verbal.

  • Estímulo à empatia: Ao cuidar do animal, a criança aprende a reconhecer as necessidades do outro e a responder a elas — o que é um passo importante no desenvolvimento da empatia.

  • Melhora no foco e atenção: Crianças autistas em programas de terapia assistida por animais costumam demonstrar maior engajamento nas atividades e maior capacidade de manter a atenção.

  • Redução de crises: O vínculo emocional com o animal pode ajudar na autorregulação emocional, diminuindo a frequência e a intensidade das crises.

Terapia assistida por animais: o uso clínico dos pets no tratamento

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma abordagem complementar, com objetivos terapêuticos bem definidos, conduzida por profissionais da saúde mental como psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Nela, o animal é considerado parte do processo clínico.

Os animais passam por treinamentos específicos e atuam em sessões supervisionadas para ajudar o paciente a desenvolver habilidades sociais, controlar emoções, lidar com o trauma e até melhorar funções motoras, dependendo do caso. Essa abordagem já é utilizada em hospitais, asilos, clínicas de reabilitação e centros educacionais no Brasil e no mundo.

A importância da rotina para quem sofre de depressão

Pessoas com depressão frequentemente enfrentam desafios para manter uma rotina. Nesse contexto, cuidar de um animal pode trazer estrutura ao dia a dia. Alimentar, passear e dar atenção ao pet exige compromisso e responsabilidade, o que pode ser terapêutico.

Além disso, a sensação de ser necessário — de que há um ser vivo que depende de você — ajuda a combater sentimentos de inutilidade e desesperança.

A terapia assistida por animais como recurso complementar

Também conhecida como pet terapia, a terapia assistida por animais é uma prática que utiliza a presença de pets treinados para auxiliar no tratamento de pessoas com diferentes necessidades emocionais. Vários hospitais, clínicas e centros de reabilitação ao redor do mundo já incorporaram esse tipo de abordagem com resultados surpreendentes.

Em pacientes com Alzheimer, por exemplo, cães treinados ajudam a estimular memórias afetivas e criam vínculos que acalmam os episódios de confusão mental. Em crianças no espectro autista, os pets auxiliam no desenvolvimento da empatia, da comunicação e da autorregulação emocional.

Existe um animal de estimação ideal para cada pessoa?

Embora os cães e gatos sejam os mais comuns, muitas pessoas se beneficiam emocionalmente da companhia de outros animais, como coelhos, calopsitas e até peixes. O importante é que o pet escolhido seja compatível com o estilo de vida e com o nível de cuidado que o tutor pode oferecer.

Para quem vive em apartamentos e tem uma rotina corrida, por exemplo, gatos costumam ser mais indicados. Já pessoas mais ativas ou que precisam de motivação para sair de casa podem se beneficiar de um cão que exija caminhadas regulares.

Animais de estimação e saúde mental: um vínculo que transforma

A relação entre animais de estimação e saúde mental não é apenas emocional, mas também fisiológica. O toque, o olhar e a presença do animal atuam diretamente no sistema nervoso, ajudando a regular emoções e até prevenir doenças mentais mais graves.

Por isso, ao pensar em qualidade de vida, é essencial considerar o papel dos pets como agentes de bem-estar. Eles não são apenas companheiros — são verdadeiros terapeutas silenciosos.

Um carinho que cura

Se você já convive com um animal de estimação, provavelmente sabe o quanto ele é capaz de mudar o seu humor e tornar os dias mais leves. Caso ainda não tenha um, mas cogite essa possibilidade, vale lembrar que adotar um pet exige responsabilidade, mas também oferece recompensas imensuráveis para o coração e a mente.

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