Beleza Inatingível: Por Que Todo Mundo Está Se Sentindo Feio Nas Redes Sociais?

E se o problema não fosse você… mas sim o feed que você rola todo dia?

Você já parou para pensar por que, mesmo tendo um dia lindo, uma pele radiante ou um cabelo no lugar, você olha para o espelho e só enxerga defeitos? Pois é. Não é só você. Milhões de pessoas — adolescentes, adultos, até crianças — estão vivendo essa mesma angústia. E a culpa? Em grande parte, está nas redes sociais.

A beleza inatingível

De fato, as plataformas digitais revolucionaram a forma como nos comunicamos, nos divertimos e até nos amamos. Contudo, elas também trouxeram consigo uma pressão silenciosa, quase invisível: a beleza inatingível. Essa expressão não é exagero. É diagnóstico.

Como as redes sociais redefiniram — e distorceram — o que é ser bonito

Antigamente, os padrões de beleza vinham de revistas, novelas ou passarelas. Hoje? Eles estão no seu celular. A qualquer hora. A cada scroll. E o pior: parecem reais. São rostos “naturais”, corpos “comuns”, mas… editados. Filtros, apps de retoque, iluminação estratégica, poses ensaiadas — tudo isso cria uma ilusão de acessibilidade. “Ah, ela é assim mesmo!” — você pensa. Só que não.

Aliás, estudos recentes da Universidade de Harvard mostram que 78% dos jovens entre 13 e 25 anos já se sentiram insatisfeitos com sua aparência após usar redes sociais por mais de 30 minutos. Isso acontece porque, inconscientemente, comparamos nossos bastidores com os trailers alheios. E, claro, perdemos sempre.

“Cheguei a tomar remédio para ansiedade aos 16 anos porque me odiava no espelho. Tudo por causa do Instagram.”
—Larissa M., 19 anos, estudante de psicologia em São Paulo

Larissa não é caso isolado. Ela conta que passava horas tentando reproduzir poses de influencers, baixava apps de edição para “apagar” suas espinhas e até deixou de sair com amigos por se sentir “feia demais”. “Eu me comparava com meninas que tinham nariz fino, pele lisa, corpo ‘sequinho’. Só que elas usavam filtros. Eu não sabia. Achava que era defeito meu.”

Foi só na terapia, dois anos depois, que ela entendeu: o problema nunca foi o rosto dela. Foi o feed que ela seguia.

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A indústria por trás da beleza inatingível (e quem está dizendo “chega!”)

Não é coincidência. Tampouco acidente. Existe um mercado bilionário alimentando essa insegurança. Marcas de cosméticos, cirurgiões plásticos, apps de edição, até mesmo influencers — todos lucram quando você se sente mal com seu reflexo. Afinal, quem se sente incompleto, compra. Quem se sente inadequado, consome. E aí, a roda gira.

Porém, há uma contranarrativa surgindo — e ela vem de gente como Larissa. Hoje, ela mantém um perfil no Instagram chamado @corpoemobra, onde posta fotos sem maquiagem, com acne ativa e legendas sinceras: “Hoje acordei inchada. E daí? Meu valor não cabe em uma selfie.”

E sabe o que é curioso? Esses conteúdos viralizam. Por quê? Porque tocam em algo profundo: a verdade. Segundo pesquisa do Datafolha de 2024, 64% dos brasileiros preferem seguir perfis que mostram a realidade do que perfis “perfeitos”. Isso mostra que a fome por autenticidade está crescendo — e a beleza inatingível está perdendo espaço.

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O que fazer quando a beleza inatingível bate na sua porta (ou no seu feed)

Primeiramente, respire. Você não está sozinho. Em seguida, comece a curar seu feed. Siga perfis que te inspiram, não que te diminuem. Desative notificações de contas que te deixam mal. Use apps que limitam seu tempo nas redes. E, principalmente, lembre-se: o que você vê na tela não é regra — é exceção.

Além disso, pratique o desapego visual. Passe um dia sem se olhar no espelho. Outro sem tirar selfies. Outro sem comparar seu corpo com o de ninguém. Parece radical? Talvez. Mas é libertador.

Por fim, converse. Fale com amigos, com terapeutas, com quem te escuta sem julgar. A beleza inatingível só tem poder sobre você quando você acredita que ela existe como regra. E não existe. Nunca existiu.

“Quando parei de me comparar, comecei a me ver. E aí… me apaixonei.”
— Larissa, hoje

Beleza real é imperfeita, mutável e profundamente humana

Então, da próxima vez que você rolar o feed e sentir aquele aperto no peito, pare. Feche o app. Olhe pela janela. Respire. E lembre-se: você não precisa ser perfeito. Você já é inteiro. A beleza inatingível é só um truque de marketing — e você não é obrigado a cair nele.

Afinal, o mundo não precisa de mais corpos editados. Precisa de mais gente viva, real, rindo com os dentes tortos, dançando com a barriga de fora, amando com as olheiras e tudo.

E isso, sim, é lindo.

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1 thought on “Beleza Inatingível: Por Que Todo Mundo Está Se Sentindo Feio Nas Redes Sociais?”

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