Em pleno verão brasileiro, a desidratação no calor é muito mais comum — e perigosa — do que se imagina. Por isso, reconhecer os primeiros sinais e saber agir com rapidez pode literalmente salvar vidas. A seguir, explicamos tudo: desde os sintomas iniciais até os passos essenciais de emergência e prevenção para crianças, adultos e idosos.

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Por Que a Desidratação no Calor Exige Atenção Redobrada?
Em primeiro lugar, é importante entender que a desidratação no calor não surge apenas quando sentimos sede. Muitas vezes, o corpo já perdeu líquidos e sais minerais em silêncio — especialmente em ambientes abafados, com roupas inadequadas ou baixa ingestão de água. Aliás, segundo o Ministério da Saúde, as internações por esse motivo aumentam significativamente nos meses mais quentes.
Além disso, bebês e idosos estão em risco elevado, pois os sinais evoluem com rapidez. Ou seja, o que começa como uma leve tontura pode se transformar em emergência em poucas horas — principalmente se for confundido com cansaço comum.
Desidratação vs. Golpe de Calor: Entenda a Diferença
Embora relacionados, esses dois quadros são distintos — e exigem abordagens diferentes:
- Desidratação: ocorre quando há perda excessiva de líquidos e eletrólitos, seja por suor intenso, vômitos, diarreia ou simplesmente pouca ingestão de água.
- Golpe de calor (ou insolação): é uma emergência médica grave. Nesse caso, os mecanismos naturais de regulação térmica do corpo falham, e a temperatura corporal pode ultrapassar os 40 °C — podendo levar à falência de órgãos e até à morte.
Portanto, embora a desidratação leve possa ser resolvida com cuidados caseiros, o golpe de calor exige atuação imediata de profissionais de saúde.
Sinais de Alerta da Desidratação no Calor
Como mencionado, a sede é um sinal tardio. Logo, é essencial observar outros indicadores — que, muitas vezes, passam despercebidos.
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Em Adultos
- Boca e pele secas
- Dor de cabeça ou tontura
- Fraqueza acentuada ou fadiga incomum
- Urina escassa, escura e com odor forte
- Irritabilidade, confusão mental ou dificuldade de concentração
Em Crianças e Bebês
As crianças pequenas, por sua vez, não conseguem verbalizar desconforto com clareza — por isso, os pais e cuidadores devem ficar atentos a sinais físicos:
- Boca e língua ressecadas
- Choro sem lágrimas
- Fontanela (“moleira”) afundada
- Sonolência excessiva ou irritabilidade fora do padrão
- Fraldas secas por mais de 6 horas
Vale ressaltar que, nessa faixa etária, a desidratação progride muito rapidamente — mesmo quando os sintomas parecem leves.
Golpe de Calor: Quando Toda Hora Conta
O golpe de calor é uma urgência absoluta. Consequentemente, qualquer atraso no socorro pode ter consequências irreversíveis. Observe com atenção os seguintes sinais:
- Temperatura corporal acima de 40 °C (medida preferencialmente na axila ou ouvido)
- Pele quente, avermelhada e seca — não há suor, pois o corpo já perdeu a capacidade de resfriamento
- Confusão mental, agitação, delírio ou perda de consciência
- Respiração acelerada e pulso forte
- Náuseas, vômitos e, em casos graves, convulsões
Diante de qualquer um desses sinais, é fundamental ligar imediatamente para o SAMU (192) ou Corpo de Bombeiros (193).
O Que Fazer: Passo a Passo para Cada Situação
Se For Desidratação Leve a Moderada
Nesse caso, é possível intervir em casa — desde que com cuidado e observação contínua:
- Leve a pessoa para um local fresco, ventilado e com sombra.
- Ofereça líquidos em pequenos goles e com frequência: água, soro caseiro ou soluções de reidratação oral (como o SRO vendido em farmácias). Evite refrigerantes, bebidas alcoólicas ou com cafeína, pois pioram a perda hídrica.
- Retire roupas em excesso e aplique toalhas úmidas com água fresca (não gelada) na testa e nuca.
- Observe a evolução nas próximas 60 minutos. Se não houver melhora — ou se surgirem sinais de confusão, vômito persistente ou pouca urina — procure atendimento médico imediatamente.
Se For Golpe de Calor (Emergência)
Aqui, cada minuto importa. Assim, siga rigorosamente estas orientações até a chegada do socorro:
- Ligue para o SAMU (192) ou Corpo de Bombeiros (193) agora mesmo.
- Mova a pessoa para um local fresco e arejado — longe do sol direto.
- Remova roupas pesadas e aplique compressas frias (ou bolsas de gelo envoltas em pano) nas axilas, virilha, pescoço e testa — regiões com maior fluxo sanguíneo.
- Não ofereça nada por via oral se a pessoa estiver confusa, sonolenta ou inconsciente, para evitar engasgos.
- Mantenha vigilância constante: observe respiração, nível de consciência e sinais de convulsão até a equipe médica chegar.

Prevenção: Como Evitar a Desidratação no Calor
Mais do que tratar, é possível (e essencial) prevenir. A seguir, um checklist prático para proteger toda a família — especialmente os grupos de risco:
- ✔️ Incentive a ingestão de água ao longo do dia — mesmo sem sentir sede. Crianças e idosos, em particular, não percebem a sede com facilidade.
- ✔️ Use roupas leves, soltas e de cores claras, que facilitam a transpiração e refletem o calor.
- ✔️ Evite exposição solar prolongada entre 10h e 16h, horário de maior intensidade dos raios UV.
- ✔️ Aumente a oferta de líquidos durante quadros de febre, vômitos ou diarreia — mesmo em dias frios.
- ✔️ Mantenha ambientes ventilados: use ventiladores, abra janelas ou, se possível, ar-condicionado em temperatura moderada (24–26 °C).
- ✔️ Monitore idosos e crianças com frequência: pergunte se estão bem, observe a cor da urina e a umidade da boca.
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Apesar de parecer antigo, o soro caseiro continua sendo uma das ferramentas mais eficazes contra a desidratação no calor — especialmente em locais com acesso limitado a medicamentos.
Para prepará-lo, basta misturar:
- 1 litro de água potável (filtrada ou fervida)
- 1 colher de sopa rasa de açúcar
- 1 colher de café rasa de sal
A solução deve ter sabor levemente salgado — nem doce demais, nem excessivamente salgada. Ofereça em colheradas ou goles pequenos, de 5 em 5 minutos, principalmente para crianças.
Prevenir é Mais Fácil — e Mais Seguro — Que Remediar
Em síntese, a desidratação no calor é silenciosa, mas mortalmente eficiente quando ignorada. Contudo, com atenção, informação e hábitos simples, é possível proteger a si mesmo e às pessoas ao redor — mesmo nos dias mais quentes do ano.
Como afirma a Dra. Diana Serra, médica responsável técnica da Vitalmed: “No calor intenso, a atenção deve ser redobrada. A prevenção começa dentro de casa.”
Lembre-se: em caso de dúvidas ou sinais de alerta, não espere. Procure ajuda. Afinal, saúde não é só ausência de doença — é também presença de cuidado, antecipação e empatia.
Contatos de Emergência
- SAMU: 192
- Corpo de Bombeiros: 193

Apaixonada pela vida saudável, estudante e entusiasta, redatora do corpo certo.
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