Já rolou aquele papo de grupo de WhatsApp dizendo que “castanha de caju em excesso mata”? Você riu, mas, no fundo, ficou com aquela pulguinha atrás da orelha — principalmente se adora uma porção crocante no lanche da tarde. Pois vamos esclarecer isso hoje, de forma simples, honesta e sem sensacionalismo.
Afinal, será que a castanha de caju — tão querida em saladas, smoothies e até queijos veganos — esconde algum perigo real? A resposta curta é: não. Mas a explicação merece atenção. Vamos juntos?

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De onde vem o mito de que a castanha de caju é perigosa?
Tudo começa com uma confusão comum: muita gente imagina que a castanha de caju cresce “pronta”, igual a uma amêndoa ou noz. Mas não é bem assim.
Na natureza, a castanha está presa na parte inferior do pseudofruto — aquela “maçã” vermelha ou amarela do cajueiro — e vem envolta em uma casca dura, oleosa e… tóxica. Sim, tóxica. Mas calma: essa toxina não está na castanha, e sim na casca externa.
O que é o urushiol — e por que ele assusta tanta gente?
O vilão dessa história tem nome e sobrenome: urushiol. É um composto químico natural encontrado também em outras plantas, como a hera-venenosa. Em contato direto com a pele, pode causar irritações, vermelhidão e até queimaduras leves — principalmente em quem lida com o processamento artesanal da castanha crua.
Michelle Oliveira, nutricionista consultada pela Agência Correio, explica com clareza: “O problema seria comer a castanha direto do caju, crua, com casca — o que ninguém faz no dia a dia.”
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Ou seja: o risco existe sim… mas só para quem colhe, descasca ou torra o fruto sem proteção. Para quem compra no supermercado? Nenhum.

E o que acontece antes da castanha chegar à sua mesa?
A indústria alimentícia não brinca em serviço. Antes de ser embalada, a castanha de caju passa por um processo rigoroso: vaporização, torra e remoção total da casca. Isso elimina 100% do urushiol — e qualquer traço de risco.
Portanto, aquela porção dourada que você abre no lanche da tarde já foi “desintoxicada” por natureza — e por tecnologia. É segura, estável e, melhor ainda: deliciosa.
Então, posso comer castanha de caju à vontade?
Quase.
A castanha de caju é rica em gorduras boas (como o ácido oleico), magnésio, zinco e triptofano — um aminoácido que ajuda na produção de serotonina, o “hormônio do bem-estar”. Além disso, dá saciedade e equilibra picos de açúcar no sangue.
Mas… atenção: como toda oleaginosa, ela é calórica. Uma porção ideal é de cerca de 20 a 30 gramas por dia (ou seja: um punhado pequeno). Mais que isso, e o excesso de calorias — não de toxinas — é que pode pesar na balança.
Ou seja: o perigo não é a morte súbita — é o pacotinho inteiro devorado de uma vez enquanto você assiste àquele *binge* de série. Já passou por isso?
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Três dicas práticas para aproveitar a castanha de caju com segurança (e sabor)
- Compre sempre industrializada: embalada, torrada ou levemente salgada. Evite castanhas “caseiras” ou de procedência duvidosa.
- Use na culinária: moída, vira base de queijo vegano; triturada, enriquece pães e bolos funcionais.
- Combine com fibras: misture com frutas secas ou aveia para criar um mix energético e de digestão suave.

Relaxe, sua castanha de caju te ama de volta
No fim das contas, a castanha de caju não é vilã — é aliada. Ela é nutritiva, versátil e segura quando consumida como a maioria de nós consome: pronta, sem casca e com moderação.
Eu, como profissional que já vi dezenas de pacientes entrarem no consultório com medo de “comer veneno”, adoro desmistificar isso. A nutrição não precisa ser assustadora. Pelo contrário: ela pode ser simples, gostosa e cheia de sabedoria ancestral.
E você? Já ouviu esse mito por aí? Já evitou a castanha de caju por medo? Conta pra gente nos comentários — sua experiência pode ajudar muita gente a respirar aliviada (e continuar curtindo o lanche favorito).

Apaixonada pela vida saudável, estudante e entusiasta, redatora do corpo certo.
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