Carne crua como base de um estilo de vida radical
Brian Johnson, mais conhecido como Liver King, construiu sua fama nas redes sociais ao divulgar hábitos alimentares extremos. Ele adotou o consumo de carne crua como parte de um estilo de vida ancestral que, segundo ele, proporcionava mais força, saúde e longevidade.

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Sua rotina incluía pratos com fígado cru bem como, cérebro de animais, testículos e ovos ingeridos ainda crus. Johnson afirmava que tudo isso fazia parte de um retorno às origens humanas, inspirando milhares de seguidores a imitarem sua dieta e exercícios.
A origem do hábito de consumir carne crua
Segundo o próprio Brian, a mudança na alimentação aconteceu por causa da saúde debilitada dos filhos. Determinado a encontrar alternativas, ele passou a estudar dietas primitivas e descobriu os conceitos de vida ancestral defendidos por autores como Mark Sisson.
Com isso, sua família adotou um cardápio radical. Alimentos processados foram eliminados, dando lugar a pratos com carne crua, caldo de ossos e alimentos crus em geral. Seus filhos passaram a seguir o mesmo padrão e também aderiram a outros hábitos como dormir no chão e evitar o uso de eletrônicos perto do corpo.
A carne crua virou marca registrada e negócio milionário
Com o sucesso de seus vídeos, Brian viu uma oportunidade de transformar sua imagem em negócio. Criou a empresa Ancestral Supplements, vendendo cápsulas com ingredientes como fígado liofilizado. A marca cresceu rapidamente, alcançando uma base de centenas de milhares de consumidores.
Johnson também ficou conhecido por criar vídeos de alto impacto. Ele aparecia puxando veículos com correntes, ingerindo carne crua recém-cortada ou executando treinos pesados. Essa exposição constante fez com que ele ganhasse o apelido de Rei do Fígado.
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Os princípios da vida ancestral e a defesa da carne crua
Para fundamentar seu discurso, Johnson lançou os “9 dogmas ancestrais”, que incluíam preceitos como contato com a natureza, evitar luz artificial e proteger a “tribo” com armas. O consumo de carne crua era apenas um dos pilares desse estilo de vida que buscava se afastar do conforto moderno.
A influência crescia, mas as críticas também aumentavam. Muitos questionavam se as práticas aplicadas à própria família não cruzavam a linha do aceitável. Vídeos mostrando os filhos comendo testículos de animais geraram discussões nas redes e levantaram suspeitas de abuso psicológico ou imposição forçada.
Filhos de Brian Johnson vivem sob regime rígido de carne crua e rotina extrema — abuso ou escolha?
Rad e Stryker Johnson, filhos adolescentes de Brian Johnson, cresceram totalmente imersos no estilo de vida ancestral que os pais adotaram. Desde pequenos, os pais ensinaram a eles uma rotina rigorosa, com alimentação restritiva, treinos físicos diários e práticas pouco convencionais dentro de casa.
O hábito que mais chamou atenção do público foi o consumo de carne crua. Frequentemente, os meninos aparecem em vídeos comendo fígado cru, ovos crus e até testículos de animais abatidos pelo próprio pai. Em um vídeo, Brian oferece um pedaço de testículo cru aos filhos, que aceitam com naturalidade, como se aquilo fizesse parte do cotidiano.

Além da dieta, os adolescentes dormiam em camas próximas ao chão para evitar exposição à radiação eletromagnética, segundo seus pais. Eles seguiam treinos de força e resistência inspirados na rotina do pai e mantinham posturas de alerta e proteção, como se estivessem preparados para enfrentar desafios físicos e emocionais constantemente.
Essa exposição intensa gerou muitas controvérsias. Internautas e críticos sugeriram que os jovens poderiam estar sendo forçados a viver um estilo de vida que não escolheram. Outros questionaram se eles tinham liberdade para se expressar, especialmente durante uma fase tão importante para a formação da identidade.
Mesmo assim, Rad e Stryker afirmam publicamente que querem seguir os passos do pai. Eles dizem que desejam ficar “fortes como ele” e acreditam nos benefícios da carne crua e do estilo de vida ancestral. Contudo, ainda é difícil saber o quanto essas escolhas são espontâneas ou resultado de uma educação rígida e exposição constante nas redes sociais.
A descoberta que desfez o mito da carne crua
Em 2022, documentos vazados expuseram o uso de esteroides anabolizantes por parte de Brian Johnson. Apesar de sempre afirmar que seu corpo era resultado apenas da carne crua e da disciplina, ele fazia uso de hormônios como Omnitrope, uma substância sintética de crescimento.
Após a repercussão, Johnson publicou um vídeo admitindo o uso dos produtos e pediu desculpas ao público. No entanto, o dano à sua imagem já estava feito. Perdeu credibilidade, contratos e boa parte dos seguidores, sendo apontado como um símbolo da contradição entre imagem e verdade.
Uma nova abordagem ou uma nova máscara?
No documentário “Untold: O Rei do Fígado”, exibido pela Netflix, Johnson diz ter mudado sua rotina. Agora cultiva hortaliças, consome frutas e tenta levar uma vida mais equilibrada. Mesmo assim, mantém a defesa de uma dieta centrada em carne crua e continua vendendo suplementos com base em órgãos animais.
O documentário revela também aspectos menos conhecidos da sua trajetória. Johnson conta que usava drogas desde jovem e escondia isso mesmo enquanto construía sua imagem pública de disciplina extrema.
Prisão após ameaças contra Joe Rogan
O episódio mais recente envolvendo Brian Johnson aconteceu após ele fazer ameaças ao podcaster Joe Rogan. Publicou vídeos ofensivos e viajou até a cidade onde Rogan mora, sendo preso em um hotel. Sua esposa foi vista deixando o local com os pertences do influenciador.
As autoridades norte-americanas determinaram uma ordem de restrição e exigiram acompanhamento psiquiátrico. Embora não se saiba exatamente o motivo das ameaças, especula-se que as críticas de Rogan ao estilo de vida de Johnson tenham sido o estopim.
O que restou do legado de Joe Rogan?
Brian Johnson ainda está presente nas redes sociais, continua vendendo seus produtos e mantém parte do público fiel. No entanto, o impacto de sua queda continua visível. Seus vídeos mais recentes recebem comentários irônicos e referências ao seu envelhecimento acelerado.
O caso mostra como o discurso sobre alimentação e saúde pode ser manipulado. Transformar o consumo de carne crua em espetáculo serviu para impulsionar um negócio, mas também deixou claro os perigos de seguir figuras públicas sem questionar suas práticas.

Apaixonada pela vida saudável, estudante e entusiasta, redatora do corpo certo.
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