Intolerância à lactose: por que ela acontece e como conviver com o problema sem abrir mão da sua alimentação

Você sente desconforto, inchaço ou cólicas depois de tomar leite ou comer um pedaço de queijo? Esses podem ser sinais de que seu corpo não lida bem com a lactose — o açúcar natural presente no leite e seus derivados. Mas afinal, por que algumas pessoas têm intolerância à lactose, enquanto outras consomem laticínios sem qualquer problema?

Intolerância à lactose: por que ela acontece e como conviver com o problema sem abrir mão da sua alimentação
Imagem: lustosa.com.br

O que é a intolerância à lactose?

A intolerância à lactose acontece quando o corpo produz pouca ou nenhuma lactase, que é a enzima responsável por digerir a lactose no intestino delgado. Sem essa enzima, a lactose segue intacta até o intestino grosso, onde é fermentada por bactérias. É justamente esse processo que causa gases, cólicas, inchaço, náuseas e até diarreia.

Esse distúrbio é mais comum do que se imagina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% da população mundial apresenta algum grau de intolerância à lactose, especialmente em populações da Ásia, África e América do Sul.

Quais são os sintomas da intolerância à lactose?

Os sintomas surgem quando a lactose não é digerida corretamente no intestino delgado e chega ao intestino grosso, onde é fermentada por bactérias. Esse processo gera gases e outros subprodutos que causam desconforto intestinal. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:

  • Inchaço abdominal: sensação de estufamento e pressão na barriga, causada pelo acúmulo de gases;

  • Gases excessivos: resultado da fermentação da lactose pelas bactérias intestinais;

  • Cólica abdominal: dor ou desconforto no abdômen, geralmente em cólicas que vêm e vão;

  • Diarreia: fezes líquidas ou amolecidas, especialmente após o consumo de laticínios;

  • Náusea: algumas pessoas podem se sentir enjoadas logo após ingerir alimentos com lactose;

  • Borboregos (barulhos intestinais): sons audíveis do intestino tentando lidar com a lactose não digerida.

Esses sintomas geralmente aparecem entre 30 minutos e 2 horas após a ingestão de produtos com lactose. A intensidade dos sintomas depende da quantidade de lactose ingerida e do grau de deficiência da enzima lactase.

Por que algumas pessoas desenvolvem a intolerância?

A principal causa é genética. Após o desmame, o organismo de muitas pessoas começa naturalmente a produzir menos lactase, o que leva à intolerância com o tempo. Em outras palavras, o corpo “entende” que o leite não é mais necessário e reduz a produção da enzima.

Por outro lado, há pessoas que desenvolvem intolerância por causas secundárias, como infecções intestinais, uso prolongado de antibióticos ou doenças como Doença de Crohn e doença celíaca. Nesses casos, a intolerância pode ser temporária.

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A intolerância à lactose pode ser grave?

Na maioria das vezes, não. Mas os sintomas podem variar bastante. Algumas pessoas sentem apenas um leve desconforto, enquanto outras enfrentam dores intensas e episódios de diarreia após pequenas quantidades de lactose.

Em casos mais sensíveis, é necessário um controle rigoroso da alimentação. Ainda assim, vale lembrar que a intolerância à lactose não é uma alergia. A alergia ao leite é uma reação imunológica às proteínas do leite, como a caseína, e costuma ser mais grave, podendo causar até anafilaxia.

Existem remédios que ajudam na digestão da lactose?

Sim, e essa é uma boa notícia. Existem medicamentos que contêm enzima lactase, geralmente em forma de comprimidos, cápsulas ou gotas, e são indicados para pessoas com intolerância leve ou moderada que desejam consumir alimentos com lactose ocasionalmente.

Esses produtos têm como princípio ativo a própria enzima lactase (β-galactosidase), que é a substância normalmente produzida no intestino delgado para digerir a lactose. Quando consumidos junto à refeição, esses suplementos enzimáticos ajudam a quebrar a lactose em dois açúcares simples: glicose e galactose, permitindo que sejam absorvidos normalmente pelo intestino, sem causar fermentação pelas bactérias do cólon.

O mecanismo de ação é direto: ao ingerir o suplemento junto com a comida ou bebida que contém lactose, a enzima atua no estômago e no intestino delgado hidrolisando a lactose antes que ela alcance o intestino grosso. Isso reduz ou elimina os sintomas típicos, como gases, cólicas, inchaço e diarreia.

No entanto, é importante ressaltar que a eficácia pode variar entre os indivíduos, dependendo do grau de deficiência da enzima no organismo, da quantidade de lactose ingerida e da sensibilidade intestinal. Por isso, o ideal é começar com doses menores, observar a resposta do corpo e ajustar conforme a necessidade, sempre com orientação médica ou nutricional.

Além disso, é essencial destacar que esses produtos não curam a intolerância à lactose — eles apenas ajudam a manejar os sintomas de forma pontual e estratégica. Em alguns casos, pode ser necessário também complementar com probióticos, que auxiliam na melhora da microbiota intestinal, especialmente em pessoas com intolerância associada a outros distúrbios digestivos.

A importância de ler os rótulos: o que significa “pode conter leite”?

Muita gente com intolerância ignora uma informação que faz toda a diferença: o famoso “pode conter leite” nos rótulos dos alimentos. Essa frase não significa, necessariamente, que o leite está na lista de ingredientes, mas sim que há risco de contaminação cruzada.

A contaminação cruzada ocorre quando o alimento foi produzido em equipamentos ou ambientes que também processam produtos com leite. Mesmo sem lactose na fórmula, traços podem estar presentes — o que é especialmente importante para quem tem intolerância severa ou alergia.

Portanto, ler os rótulos com atenção é essencial para evitar sintomas indesejados. Produtos como biscoitos, bolos industrializados, embutidos e até suplementos alimentares podem conter traços de lactose.

Como adaptar a alimentação sem abrir mão do prazer?

Conviver com a intolerância à lactose não significa abrir mão de todos os laticínios. Hoje em dia, o mercado oferece diversas alternativas, como:

  • Leites e iogurtes sem lactose

  • Queijos maturados com menos lactose (como parmesão e provolone)

  • Leites vegetais (amêndoa, soja, aveia, coco)

  • Manteigas clarificadas (ghee)

Além disso, alguns intolerantes conseguem consumir pequenas quantidades de lactose ao longo do dia, distribuindo melhor a ingestão e evitando sobrecarga no sistema digestivo.

A intolerância à lactose é comum, mas pode ser controlada com mudanças simples no dia a dia. Entender como ela funciona é o primeiro passo para identificar sintomas e buscar alternativas que respeitem o seu corpo — sem abrir mão de uma alimentação saborosa e equilibrada.

Medicamentos com lactase, alimentos sem lactose e o cuidado com os rótulos são estratégias eficazes que permitem uma vida normal e confortável. Portanto, se você suspeita da condição, não ignore os sinais do seu corpo e busque orientação médica. Quanto antes houver diagnóstico e adaptação, melhor será sua qualidade de vida.

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1 thought on “Intolerância à lactose: por que ela acontece e como conviver com o problema sem abrir mão da sua alimentação”

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