O que são antinutrientes e como eles interferem na absorção de nutrientes? Veja o que ninguém te contou

Você já ouviu falar em antinutrientes? Apesar do nome assustar, esses compostos estão presentes em muitos alimentos do dia a dia — inclusive em opções consideradas saudáveis, como grãos integrais, sementes e vegetais. Mas será que os antinutrientes são realmente vilões da nutrição? Ou será que tudo depende do equilíbrio e do preparo correto dos alimentos?

Antinutrientes estão nos alimentos que você come todos os dias. Descubra como eles interferem na absorção de nutrientes e como reduzir seus efeitos.

O que são antinutrientes e por que eles estão nos alimentos?

A palavra-chave “antinutrientes” pode causar confusão à primeira vista. Afinal, como algo presente em alimentos naturais poderia atrapalhar a saúde? A verdade é que os antinutrientes são compostos naturais produzidos pelas plantas como mecanismo de defesa contra predadores, fungos e pragas.

Fitoquímica defensiva: um sistema de proteção vegetal

Embora estejam presentes em alimentos considerados saudáveis, os antinutrientes podem reduzir a quantidade de vitaminas e minerais que o corpo consegue absorver. Isso não significa que esses alimentos devam ser evitados, mas sim que é fundamental entender como cada antinutriente age e como minimizar seus efeitos por meio de estratégias simples no preparo e na combinação dos alimentos.

Ácido fítico e fitatos: eles “prendem” minerais importantes

O ácido fítico, encontrado principalmente em cereais integrais (como arroz integral, aveia e milho), leguminosas (como feijão, grão-de-bico e lentilha) e sementes (como linhaça e chia), tem a capacidade de se ligar a minerais como ferro, zinco, cálcio e magnésio.

Quando isso acontece, o organismo não consegue absorver esses minerais adequadamente, pois eles formam compostos insolúveis no intestino. Em outras palavras, mesmo que o alimento contenha ferro ou cálcio, boa parte acaba sendo eliminada nas fezes sem ser aproveitada.

Exemplo prático:
Um prato de arroz integral com feijão é muito nutritivo, mas ambos são ricos em ácido fítico. Se a pessoa não deixar o feijão de molho antes do cozimento, a absorção de ferro da refeição pode ser até 50% menor.

Oxalatos: os bloqueadores do cálcio

Os oxalatos também estão entre os antinutrientes mais conhecidos. Eles estão presentes em vegetais como espinafre, acelga, beterraba, ruibarbo e cacau. Esses compostos se ligam principalmente ao cálcio, formando cristais insolúveis.

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Essa ligação reduz significativamente a quantidade de cálcio disponível para absorção pelo intestino — e, em excesso, pode contribuir até para a formação de pedras nos rins, especialmente em pessoas predispostas.

Exemplo prático:
Embora o espinafre contenha muito cálcio, boa parte dele não é aproveitada pelo corpo, justamente por causa do alto teor de oxalato. Já a couve, por exemplo, também é rica em cálcio, mas tem baixos níveis de oxalato — o que a torna uma opção melhor quando se busca esse mineral.

Taninos: interferem na absorção do ferro

Os taninos são compostos fenólicos encontrados em bebidas como chá preto, chá verde, vinho tinto e café, além de algumas frutas como uvas e romãs. Eles têm ação adstringente e antioxidante, mas também prejudicam a absorção do ferro não-heme, ou seja, o ferro de origem vegetal.

O maior problema ocorre quando o consumo dessas bebidas acontece junto com as refeições. Os taninos se ligam ao ferro dos vegetais, tornando sua absorção intestinal muito menos eficiente.

Exemplo prático:
Se você tomar uma xícara de chá preto logo após comer uma salada de folhas verdes com lentilhas, a absorção do ferro dessa refeição será consideravelmente menor do que se consumisse um suco de laranja, que contém vitamina C e aumenta a absorção de ferro.

Lectinas: afetam a digestão e irritam o intestino

As lectinas estão presentes em leguminosas (feijão, soja, lentilha), cereais e algumas frutas cruas. Quando consumidas em grandes quantidades e sem preparo adequado, elas podem irritar a mucosa intestinal, prejudicar a digestão e atrapalhar a absorção de diversos nutrientes.

Elas também atuam como inibidores de enzimas digestivas, dificultando a quebra de proteínas e carboidratos — o que pode causar desconforto abdominal, gases e sensação de inchaço.

Exemplo prático:
Feijão mal cozido ou sem prévia demolha tende a causar mais gases e má digestão, justamente por conter altas concentrações de lectinas ativas. Cozinhar bem e descartar a água do molho reduz drasticamente esses efeitos.

Inibidores de enzimas: atrapalham a digestão de proteínas

Alguns antinutrientes agem diretamente contra enzimas digestivas, como a tripsina e a pepsina, que são fundamentais para a digestão das proteínas. Eles estão presentes especialmente em soja crua, amendoim cru e algumas sementes.

Quando essas enzimas são inibidas, o organismo não consegue quebrar corretamente as proteínas dos alimentos, o que afeta não só a digestão, mas também a absorção dos aminoácidos essenciais.

Exemplo prático:
A soja precisa ser cozida, fermentada ou germinada antes do consumo. A ingestão de farinha de soja crua (às vezes usada em receitas veganas mal orientadas) pode causar inchaço, náuseas e má digestão por causa dos inibidores de enzimas.

Resumo visual do impacto dos principais antinutrientes

Antinutriente Alimentos comuns Nutriente afetado Como reduzir o efeito
Ácido fítico / Fitatos Feijão, grão-de-bico, arroz integral Ferro, zinco, cálcio Demolhar, germinar, fermentar
Oxalatos Espinafre, beterraba, cacau Cálcio Cozinhar, variar fontes de vegetais
Taninos Chá preto, vinho tinto, café Ferro vegetal Evitar junto às refeições
Lectinas Feijão cru, soja, lentilhas Vários Cozinhar bem, descartar água do molho
Inibidores de enzimas Soja crua, amendoim cru Proteínas (digestão) Cozinhar, fermentar, assar

Como os antinutrientes interferem na absorção de nutrientes?

Agora que já sabemos o que são os antinutrientes, é importante entender como eles afetam o aproveitamento dos nutrientes no organismo.

Ácido fítico: o sequestrador de minerais

Presente em grãos integrais, sementes e leguminosas, o ácido fítico (ou fitato) é conhecido por sua capacidade de se ligar a minerais como ferro, cálcio, zinco e magnésio. Ao formar esses complexos insolúveis, o ácido fítico impede que o organismo absorva esses nutrientes no intestino.

Por isso, mesmo que você consuma alimentos ricos em ferro ou zinco, se eles estiverem combinados com altos teores de ácido fítico, a absorção pode ser reduzida significativamente.

Oxalatos e taninos: mais do que simples bloqueadores

Outros antinutrientes, como os oxalatos (encontrados no espinafre, acelga e beterraba) também prejudicam a absorção de cálcio. Já os taninos, muito presentes em chás como o preto e o verde, reduzem a biodisponibilidade do ferro não-heme (de origem vegetal).

Ou seja, mesmo uma salada repleta de nutrientes pode ter seu valor nutricional comprometido se não for bem combinada com os demais itens da refeição.

É preciso cortar os antinutrientes da alimentação?

Essa é uma dúvida muito comum, especialmente entre pessoas que seguem dietas baseadas em vegetais. No entanto, a resposta é mais complexa do que um simples “sim” ou “não”.

A diferença entre quantidade e impacto real

Os antinutrientes só se tornam um problema quando consumidos em excesso e sem cuidados no preparo dos alimentos. Além disso, a maioria das pessoas saudáveis, com dieta variada, não sofre prejuízos significativos por conta deles.

Por incrível que pareça, muitos desses compostos também têm efeitos benéficos. Os fitatos, por exemplo, possuem ação antioxidante e podem reduzir o risco de certos tipos de câncer. Já os taninos ajudam a controlar bactérias nocivas no intestino.

Portanto, mais do que excluir alimentos, o ideal é aprender a prepará-los da forma certa para neutralizar ou reduzir o impacto dos antinutrientes.

Técnicas simples para neutralizar os antinutrientes

Felizmente, a culinária tradicional já nos oferece métodos eficazes para minimizar os efeitos dos antinutrientes. Veja como preparar seus alimentos para aproveitar ao máximo seus nutrientes.

Demolhar grãos e sementes

Deixar feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia ou chia de molho por várias horas (de preferência de 8 a 12) reduz significativamente a quantidade de ácido fítico e inibidores de enzimas. Trocar a água do demolho antes do cozimento também é essencial.

Germinação e fermentação

Germinar grãos e sementes ou utilizar fermentações naturais (como no caso do pão de fermentação lenta) aumenta a atividade de enzimas que quebram os antinutrientes, deixando os minerais mais biodisponíveis para o organismo.

Cozinhar da forma correta

O calor também desempenha papel importante. O cozimento em água elimina ou neutraliza boa parte das lectinas, inibidores de tripsina (que atrapalham a digestão de proteínas) e outros compostos indesejados.

Antinutrientes e alimentação equilibrada: dá para conciliar?

A boa notícia é que sim — é totalmente possível manter uma dieta saudável, rica em fibras, vegetais e grãos, sem sofrer os efeitos negativos dos antinutrientes.

Combinações inteligentes na hora de comer

Evitar consumir chás ricos em taninos junto com refeições ricas em ferro vegetal, por exemplo, já ajuda bastante. Da mesma forma, consumir vitamina C (como suco de laranja ou limão) junto com vegetais ricos em ferro melhora a absorção e compensa a ação dos antinutrientes.

Outro ponto fundamental é a diversidade alimentar. Comer uma grande variedade de alimentos ao longo da semana diminui o impacto cumulativo de compostos que possam competir com a absorção de nutrientes.

Antinutrientes não são vilões, mas exigem atenção

A alimentação humana inclui compostos naturais chamados antinutrientes há milhares de anos.. Quando consumidos em excesso e sem preparo adequado, podem interferir na absorção de nutrientes importantes. No entanto, com pequenas mudanças na rotina — como demolhar, cozinhar e variar os alimentos — é possível neutralizar seus efeitos e manter uma nutrição equilibrada.

No fim das contas, não se trata de eliminar alimentos, mas de aprender a combiná-los e prepará-los com mais consciência. O segredo está no equilíbrio — e no conhecimento.

Leia também: Macronutrientes: O Que São e Como Distribuí-los na Dieta

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