Óleo de cozinha pode estar sabotando sua saúde — e você nem desconfia

Já parou para pensar no impacto silencioso que o óleo de cozinha tem no seu dia a dia? Um estudo recente está fazendo especialistas reavaliarem velhos hábitos — e os resultados surpreendem até quem pensa estar comendo de forma equilibrada.

estudo sobre oleo de cozinha

O que o novo estudo revelou sobre o óleo de cozinha

Publicado no respeitado Journal of Lipid Research, o estudo acompanhou ratos alimentados com dietas ricas em gordura — e os que consumiram óleo de cozinha à base de soja ganharam peso de forma significativamente mais rápida.

Mas atenção: isso não quer dizer que o óleo de soja é um “vilão absoluto”. Na verdade, o que chamou a atenção dos cientistas foi um composto específico: o ácido linoleico, abundante nesse tipo de óleo.

Como o ácido linoleico pode influenciar o ganho de peso

Quando ingerido em excesso, o ácido linoleico é metabolizado pelo corpo e transformado em substâncias chamadas oxilipinas — moléculas associadas à inflamação e ao acúmulo de gordura corporal.

De fato, os pesquisadores notaram algo ainda mais intrigante: ratos geneticamente modificados — incapazes de produzir certas oxilipinas — não engordaram, mesmo com a mesma dieta rica em óleo de soja. Isso sugere que o problema não está apenas na caloria, mas na forma como nosso corpo processa esse tipo de gordura.

nem todo óleo é prejudicial

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Nem todo óleo de cozinha age da mesma forma

Aqui entra um ponto essencial: o óleo de cozinha não é uma categoria única. Cada óleo vegetal tem uma composição diferente — e isso faz toda a diferença na sua saúde.

  • Óleo de girassol: contém ainda mais ácido linoleico que o de soja;
  • Óleo de colza (ou canola): rico em ácido alfa-linolênico — um ômega-3 essencial;
  • Azeite de oliva: tem níveis bem mais baixos de ácido linoleico e é rico em gorduras monoinsaturadas.

Ou seja, trocar um tipo de óleo pelo outro pode impactar não só o sabor, mas também seu metabolismo e sua inflamação sistêmica.

O desequilíbrio que ninguém comenta

A professora Ursula Schwab, da Universidade da Finlândia Oriental, destaca um fator frequentemente ignorado: não é só o excesso de ácido linoleico que preocupa — é a falta de ácido alfa-linolênico.

Esse nutriente, presente em óleos como o de colza e em alimentos como linhaça e chia, compete com o ácido linoleico nos mesmos caminhos metabólicos. Quando estamos desabastecidos dele, o corpo acaba favorecendo processos inflamatórios — e isso, sim, pode contribuir para o ganho de peso e doenças crônicas.

E nos humanos? Vale mesmo trocar o óleo de cozinha?

Sim, mas com calma. A professora Schwab lembra que estudos em ratos são valiosos para entender mecanismos biológicos — porém, não se traduzem diretamente para humanos.

Além disso, qualquer alimento gorduroso, se consumido em excesso, leva ao aumento de peso. O verdadeiro problema não está apenas no óleo de cozinha, mas no volume e no contexto em que ele é usado — principalmente em alimentos ultraprocessados.

Aliás, nos Estados Unidos, a participação calórica do óleo de soja cresceu exponencialmente ao longo do século XX. Isso coincide com o aumento da obesidade — mas a correlação não é necessariamente causal.

fritura com óleo

O que os especialistas recomendam na prática

A boa notícia é que não é preciso eliminar o óleo de cozinha da sua rotina. O segredo está no equilíbrio:

  • Variar os tipos de óleo conforme o uso (azeite para temperos crus, óleo de colza para refogados suaves);
  • Limitar o uso em frituras e alimentos processados;
  • Garantir pelo menos 25 gramas de óleo vegetal por dia — mas com foco na qualidade, não só na quantidade.

Como diz Schwab: “Não se trata de encontrar um vilão, mas de construir uma dieta mais consciente.”

Reequilibrar, não banir

O óleo de cozinha ainda tem lugar na sua cozinha — desde que você saiba escolher com critério. Longe de ser um inimigo oculto, ele pode ser aliado quando usado com sabedoria.

E você? Já pensou em testar uma troca simples — como substituir o óleo de soja pelo de colza nas preparações do dia a dia? Compartilhe sua experiência nos comentários. Pequenas mudanças, quando bem informadas, podem fazer uma grande diferença.

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