Você sabia que o bebê começa a formar preferências alimentares ainda dentro da barriga?
Isso mesmo: os sabores que a mãe consome durante a gestação chegam ao líquido amniótico e já “conversam” com o paladar infantil. Depois do nascimento, essas experiências continuam moldando o gosto da criança — refeição após refeição.

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É como se, a cada colherzinha, estivéssemos programando o “código do gosto” do seu filho.
Mas o que acontece quando esse código é construído com base em doces e alimentos ultraprocessados? A resposta pode até parecer simples, mas os impactos são profundos — e muitas vezes difíceis de reverter.
Será que só “um docinho” faz mal para o paladar infantil?
A cena é comum: uma avó carinhosa, um “só um pedacinho” de chocolate, e pronto — começa o primeiro contato do bebê com o açúcar. Mas o que parece um gesto inocente pode ter impactos silenciosos e duradouros.
Pesquisas mostram que, quando a criança consome açúcar com frequência antes dos 2 anos, ela tem muito mais chance de desenvolver sobrepeso e até doenças como diabetes tipo 2 na vida adulta. Em um estudo feito na Espanha, bebês que ingeriam altos níveis de açúcar já apresentavam sinais de excesso de peso antes mesmo de completar 3 anos.
Ou seja: esse “só um pouquinho” pode abrir a porta para um paladar viciado em doçura e uma saúde desequilibrada ao longo da vida.
Por que alimentos ultraprocessados são tão perigosos — mesmo quando parecem feitos para crianças?
Você já leu a lista de ingredientes de um biscoito “infantil”? Muitos deles contêm nomes estranhos que nem conseguimos pronunciar, mas que estão ali para simular sabor, textura e até aparência de comida de verdade. São os famosos ultraprocessados — produtos cheios de corantes, conservantes, adoçantes e aditivos que enganam o paladar e confundem o corpo.
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Esses alimentos foram criados para parecer irresistíveis, e funcionam como uma armadilha: quanto mais cedo a criança é exposta a eles, mais difícil será aceitar o sabor natural das frutas, legumes e comidas feitas em casa. O resultado é um paladar infantil cada vez mais seletivo, dependente de estímulos artificiais e pobre em nutrientes essenciais.
E o pior? Mesmo alimentos industrializados voltados para bebês — como papinhas e cereais — muitas vezes escondem quantidades altíssimas de açúcar e ingredientes ultraprocessados.
O que acontece no corpo da criança quando ela se alimenta mal desde cedo?
Além do aumento do peso e dos riscos de doenças crônicas, uma alimentação rica em açúcar e ultraprocessados também pode afetar o humor, a concentração, o sono e até o comportamento da criança. Isso porque esses alimentos causam picos de energia seguidos de quedas bruscas, desregulam os hormônios da fome e inflamam o organismo silenciosamente.
E tem mais: o consumo de açúcar está ligado a cáries precoces, distúrbios alimentares e até alterações no apetite. Quanto mais cedo a criança aprende a associar comida com recompensa ou conforto, maior o risco de desenvolver uma relação emocional desequilibrada com a alimentação no futuro.
A criança não sente falta do que nunca provou — e as embalagens são uma armadilha para o paladar infantil
Existe uma forma simples de moldar um paladar saudável? Sim — e ela começa em casa
A boa notícia é que você não precisa de fórmulas complicadas, cursos caros ou receitas mirabolantes para ajudar seu filho a desenvolver um paladar saudável. Na verdade, o segredo está em voltar ao básico, respeitando o tempo do bebê e oferecendo alimentos de verdade, com afeto, paciência e consistência.
1. Comece pelo aleitamento materno
A Organização Mundial da Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os 6 meses, sem chás, sucos ou água. O leite materno, além de nutritivo, varia de sabor conforme a dieta da mãe, o que já ajuda a formar o paladar infantil desde os primeiros dias.
Depois disso, sempre que possível, vale continuar até os 2 anos ou mais. Afinal, o leite materno reforça a imunidade, estimula o desenvolvimento cerebral e reduz o risco de obesidade na infância.
2. Introduza alimentos naturais, variados e coloridos
A partir dos 6 meses, comece a introdução alimentar com alimentos in natura ou minimamente processados. Esqueça papinhas industrializadas ou fórmulas artificiais com açúcar. Prefira sempre:
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Frutas frescas, amassadas ou raspadas
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Legumes cozidos e bem macios (como cenoura, abóbora, batata-doce)
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Arroz integral, feijão, lentilhas
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Carnes bem cozidas e desfiadas, ovos bem passados
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Iogurte natural sem açúcar (a partir de 12 meses, em alguns casos)
O ideal é oferecer um prato colorido, com diferentes texturas e sabores. Essa diversidade aumenta a aceitação dos alimentos e amplia a formação de um paladar infantil mais aberto a novidades.
3. Evite açúcar e ultraprocessados até os 2 anos
Pode parecer difícil no começo, mas evitar açúcar nos primeiros 24 meses de vida é uma das atitudes mais poderosas para a saúde do seu filho. Isso inclui não oferecer:
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Bolachas, achocolatados e iogurtes adoçados
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Balas, chocolates, gelatinas, sucos prontos
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Bolos, doces caseiros ou industrializados
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Sucos naturais com adição de açúcar
O paladar infantil se adapta ao que recebe. Se a criança se acostuma com o sabor natural das frutas e verduras, ela não sentirá falta de açúcar. Quanto mais tarde o doce for introduzido, menores as chances de desenvolver compulsão ou rejeição por alimentos naturais.
4. Respeite a fome, o tempo e os sinais do bebê
Comer bem não significa comer muito. Respeite os sinais de saciedade da criança. Se ela virar o rosto, cuspir ou não quiser mais, evite forçar. A alimentação deve ser um momento prazeroso, e não de estresse ou imposição.
Também é normal o bebê recusar um alimento novo nas primeiras tentativas. Estudos mostram que são necessárias, em média, de 8 a 15 exposições para que uma criança aceite um novo sabor. Por isso, insista com leveza, sem brigar ou insistir demais.
5. Dê o exemplo: o paladar infantil também aprende pelo olhar
O que você coloca no seu prato influencia diretamente o que seu filho vai querer comer. Crianças aprendem por imitação. Se a família consome frutas, saladas, legumes e evita refrigerantes, frituras e doces no dia a dia, a tendência é que a criança reproduza esses comportamentos naturalmente.
Além disso, envolvê-la no preparo das refeições — mesmo que só para “mexer a salada” ou “lavar a cenoura” — aumenta o interesse pelos alimentos e cria um vínculo afetivo com o momento de comer.
6. Evite associar comida a recompensa ou punição para preservar o paladar infantil
Frases como “se comer tudo, ganha sobremesa” ou “não sai da mesa até limpar o prato” podem parecer inofensivas, mas criam uma relação distorcida com a comida. Isso pode levar a um paladar infantil condicionado por culpa, ansiedade ou excesso.
Permita que a criança escute seu corpo, sinta fome, saciedade e entenda que o alimento não é prêmio, castigo nem consolo.
7. Nada de telas durante as refeições
Assistir TV ou usar celular enquanto come tira o foco do alimento e da própria experiência de comer. A longo prazo, isso atrapalha a percepção de fome e saciedade, além de prejudicar a criação de memórias gustativas reais.
Faça das refeições um momento de presença, conversa e conexão. Isso fortalece laços familiares e contribui para um paladar mais atento e consciente.
Pequenas escolhas hoje, grandes impactos amanhã
A infância é uma janela de oportunidades. Por isso, quando aproveitamos esse momento para formar um paladar infantil equilibrado, protegemos a saúde, a autonomia e a qualidade de vida da criança por muitos anos.
Assim, evitar açúcar e ultraprocessados não é exagero nem radicalismo, mas sim um ato de cuidado, prevenção e, acima de tudo, amor. O bebê não precisa de biscoito recheado ou achocolatado; ele precisa conhecer o sabor verdadeiro da comida — aquela que vem da terra, da panela, das mãos da família.
Então, quando ele crescer e perceber que um pedaço de manga é mais doce que qualquer bala, você saberá que fez a escolha certa desde o início.

Apaixonada pela vida saudável, estudante e entusiasta, redatora do corpo certo.
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