Pegada errada no supino: o detalhe que poucos veem — e que pode ser fatal

Já passou por isso? Você está na academia, focado na série, sente a barra nos dedos… e, de repente, escapa. Não caiu — mas quase caiu. O coração acelera. O suor aumenta — e não é por causa do esforço.

Agora imagine o pior cenário: a barra escapa de verdade. E vem direto no tórax.

Foi exatamente o que aconteceu com Ronald José Salvador Montenegro, 55 anos, em Olinda. Um homem apreciador do Carnaval, pai, líder cultural — e, como muitos de nós, alguém que buscava força, saúde e disposição na musculação. Infelizmente, um detalhe aparentemente pequeno — mas profundamente crítico — mudou tudo.

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O que é a “pegada suicida” — e por que ela se relaciona à pegada errada no supino

A expressão soa forte. “Pegada suicida” não é exagero de internet; é um termo usado há décadas por instrutores para descrever uma forma específica — e perigosa — de segurar a barra no supino.

Basicamente, em vez de envolver o polegar em torno da barra (como quem segura um copo com firmeza), a pessoa apoia o peso apenas na palma da mão e nos quatro dedos, deixando o polegar *livre*, do lado de fora.

Ou seja: a barra fica apoiada, mas *não presa*.

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E por que alguém faria isso? Alguns dizem que a pegada aberta “alivia o punho” ou “dá mais amplitude”. Outros simplesmente copiam vídeos de influenciadores sem perceber o risco. Mas aqui está o ponto: essa é uma das formas mais comuns — e mais perigosas — de pegada errada no supino.

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Como o corpo reage quando a barra escapa

O supino, por si só, não é um exercício “perigoso”. Pelo contrário: ele desenvolve força no peito, ombros e tríceps, e é um dos pilares do treino de força. Mas — e esse “mas” é essencial — ele exige controle motor, estabilidade do tronco e, acima de tudo, segurança na execução.

Quando a pegada errada no supino está presente, a margem de erro se reduz drasticamente. Um deslize mínimo — por fadiga, suor, distração ou desequilíbrio de força entre os braços — pode fazer a barra girar ou deslizar para frente.

E aí? O corpo não tem tempo de reagir. A barra cai direto no esterno ou no abdômen. O impacto pode causar:

  • Fraturas de costela;
  • Lesões no esterno ou coluna torácica;
  • Comprometimento cardiorrespiratório imediato — como no caso de Ronald.

O mais triste? A maioria desses acidentes ocorre em exercícios feitos *sem reforço* — ou seja, sem ninguém segurando a barra nas primeiras repetições ou em caso de falha muscular.

Ronald José Salvador Montenegro trabalhava com 'bonecões' do Carnaval por Reprodução
Ronald José Salvador Montenegro trabalhava com ‘bonecões’ do Carnaval por Reprodução

Supino com barra livre: por que ele exige mais atenção que aparelhos

O presidente do Cref/PE, Lúcio Beltrão, reforça algo que muitos ignoram: “Supino e agachamento com barra são, talvez, os dois exercícios que mais demandam atenção”. Por quê?

Porque, ao contrário de máquinas guiadas, não há travas automáticas. O peso não para sozinho se você falhar. Ele continua descendo — até encontrar resistência. E essa resistência, muitas vezes, é o seu corpo.

Além disso, o volume de carga costuma ser maior nesses exercícios — o que multiplica o risco quando a técnica falha.

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Não é sobre ter medo. É sobre respeito. Respeito ao corpo, ao movimento e à vida. Então, vamos às atitudes práticas — aquelas que cabem no seu dia a dia:

  1. Sempre envolva o polegar: segure a barra como se fosse um bastão de frevo — firme, seguro, com os cinco dedos trabalhando juntos.
  2. Nunca treine sozinho com cargas pesadas no supino: mesmo que você seja experiente, o cansaço pode vir mais cedo que o previsto.
  3. Use o “spotter” — e ensine seu parceiro a ajudar de verdade: não basta estar ali. Ele precisa saber quando empurrar, como posicionar as mãos e ler seus sinais de esforço.
  4. Desconfie de treinos copiados da internet: influenciadores não mostram os 5 minutos de ajuste antes do take, nem os três instrutores ao redor. O que funciona para um corpo treinado há 10 anos pode ser lesivo para o seu hoje.
  5. Fale com seu professor: se algo parece instável, dolorido ou “esquisito”, pare. Peça ajuda. Ninguém vai te julgar — muito pelo contrário. Profissionais adoram alunos que se importam com a técnica.

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Depois do acidente: o que o caso de Ronald nos ensina de verdade

Ronald não era um iniciante. Era um homem ativo, comprometido com a cultura, com a família, com a vida. Mas até quem tem anos de experiência pode ser pego por um momento de distração, uma pegada errada no supino, um detalhe ignorado.

Esse caso não é para gerar pânico — é para gerar *consciência*. A musculação salva vidas. Ela melhora a pressão, combate a depressão, fortalece ossos e músculos. Mas, sem atenção aos fundamentos, ela também pode virar uma armadilha silenciosa.

E, sinceramente? Como alguém que já viu — e sentiu — falhas técnicas em si mesmo e em alunos, confesso: o maior sinal de força em uma academia não é quanto você levanta. É quanto você se importa com a forma.

Então, da próxima vez que se deitar no banco, respire fundo. Verifique sua pegada. Chame seu parceiro. E lembre-se: você não está ali só para levantar peso. Você está ali para voltar para casa — inteiro, forte e feliz.

E aí, já teve algum “susto” no supino? Como você garante sua segurança? Conta pra gente nos comentários — sua experiência pode ajudar alguém a evitar um erro que parece pequeno… mas não é.

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