Já aconteceu com você? Você se aconchega na cama, seu cachorro dá aquela volta de ritual, deita coladinho… e, no meio da noite, plim! Ele se mexe, te empurra, arranha o lençol — e você acorda sem entender o que aconteceu.
Então vem a dúvida que não quer calar: pode dormir com o cachorro na cama? Será que isso é carinho ou… sabotagem involuntária do seu sono?
Vamos combinar uma coisa: ninguém ama mais um cachorro do que eu. Mas, como profissional que já viu muita gente se queixar de cansaço inexplicável — mesmo dormindo “oito horas” —, resolvi mergulhar nas pesquisas mais recentes para te entregar uma resposta honesta, sem julgamento e com dicas práticas que funcionam de verdade.

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O que a ciência diz sobre dividir a cama com o cão
Primeiramente, é importante entender que o sono humano não é um bloco sólido. Ele tem ciclos: leve, profundo e REM. E é justamente na fase profunda que o corpo se recupera, o cérebro desintoxica e o sistema imunológico recarrega as baterias.
Ora, quando o cachorro se mexe — e todos se mexem, mesmo os mais quietinhos — ele causa microdespertares. Você pode nem abrir os olhos, mas seu cérebro interrompe o ciclo profundo. Ou seja: você passa a noite “presente”, mas não descansa de verdade.
Estudos com monitoramento por dispositivos de sono confirmam: tutores que dormem com o cachorro na cama têm, em média, mais interrupções noturnas. Isso não significa que todos se sentem mal — mas explica por que muita gente acorda cansada, mesmo tendo ido cedo para a cama.
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Movimentos do cachorro: o vilão invisível do seu descanso
Os cães não dormem como a gente. Eles entram e saem do sono REM com mais frequência. Isso gera:
- Mudanças bruscas de posição
- Coçadinhas rápidas (sim, mesmo dormindo)
- Musculatura se contraindo em sonhos
- Ajustes na respiração — principalmente em raças braquicefálicas
Consequentemente, esses movimentos fragmentam seu sono. E, com o tempo, essa fragmentação se acumula. Resultado? Irritabilidade, fome descontrolada no dia seguinte e até aumento da pressão arterial — tudo ligado à qualidade do sono, e não apenas à quantidade.

Então… pode dormir com o cachorro na cama? Depende.
A resposta honesta é: sim, pode — mas com consciência.
Pesquisadores destacam que o impacto varia muito de pessoa para pessoa. Por quê? Porque alguns fatores fazem toda a diferença:
1. O porte e o temperamento do seu cão
Cães pequenos e mais tranquilos — como um Lhasa Apso ou um Shih Tzu — tendem a causar menos perturbação. Já cães grandes ou energéticos (olá, Border Collie!) podem ocupar mais espaço e se mexer mais. Além disso, filhotes ou animais ansiosos costumam ser mais agitados à noite.
Recomendamos para que saiba mais sobre raças no portal: curiosidades.net.br
2. Sua própria sensibilidade ao sono
Tem gente que dorme como um tronco — literalmente. Se um furacão passar, não acorda. Outros, como eu, acordam com o barulho do vizinho trocando de posição no andar de cima. Se você faz parte do segundo grupo, dividir a cama pode ser mais desafiador.
3. Quantos cães estão na disputa pelo colchão
Um cachorro é uma coisa. Dois já é um *congresso de movimentos noturnos*. Três? Aí o colchão vira ringue de luta livre. Estudos mostram que, quanto mais animais na cama, maior a chance de fragmentação do sono — e menor a sensação de descanso ao acordar.

E se você não abre mão do seu companheiro de cobertor?
Calma! Ninguém vai pedir para você exilar seu melhor amigo do quarto. O segredo está em adaptar, não proibir.
Veja algumas estratégias que já vi funcionarem — inclusive com meus próprios pacientes:
✅ Invista em uma caminha própria dentro do quarto
Coloque uma caminha macia, quentinha e cheirosa (sim, passe um cheirinho de você nela!) ao lado da cama. Muitos cães se adaptam rápido — especialmente se você reforçar com carinho e petiscos quando ele usar.
✅ Estabeleça uma rotina noturna para os dois
Assim como nós, os cães relaxam melhor com previsibilidade. Um passeio tranquilo no fim do dia, um alongamento suave e uma refeição 2h antes de dormir ajudam a sincronizar o relógio biológico de vocês.
✅ Observe o comportamento dele à noite
Se ele cochila cedo e ronca sem se mexer muito, talvez sua dupla seja *low impact*. Mas se ele levanta toda hora, late com sonhos ou rola feito um pão francês, é sinal de que o sono dele — e o seu — pode estar pedindo ajustes.

Minha opinião sincera (como quem já dormiu com um golden de 35kg)
Eu já tive um cachorro que ocupava 70% da cama. Eu o amava profundamente — e acordava exausta. Foi preciso um check-up com meu médico, que me perguntou: “Você dorme bem?” E eu, na defensiva: “Dormo oito horas!”
Só quando entendi que tempo não é a mesma coisa que qualidade, tudo mudou.
Hoje, meu cachorro dorme em uma caminha ao lado da cama — e ainda assim, às vezes, subo com ele nos dias mais frios ou difíceis. Porque amor não é tudo ou nada. É equilíbrio. É escolha consciente.
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Você decide — com informação e carinho
Então, voltando à pergunta: pode dormir com o cachorro na cama? Pode. Mas não porque é “fofo” — e sim porque você entende os prós e contras, observa seu próprio corpo e respeita as necessidades dele e do seu cão.
Seu sono é um ativo precioso. Cuide dele com a mesma gentileza com que cuida do seu animal.
E aí — você deixa seu cão na cama? Como tem sido sua experiência? Me conta nos comentários. Adoraria saber como vocês encontraram (ou ainda estão buscando) esse equilíbrio tão delicado.

Apaixonada pela vida saudável, estudante e entusiasta, redatora do corpo certo.
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