TotalPass em xeque: por que academias de Salvador estão perdendo dinheiro com a nova plataforma?

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Recentemente, o TotalPass ajustou seu modelo de repasses e, consequentemente, gerou uma onda de insatisfação entre donos de academias em Salvador. Segundo relatos, a plataforma passou a cobrar mais dos alunos, enquanto repassa menos aos estabelecimentos credenciados. Mas afinal, como chegamos a esse ponto e o que isso significa para você que busca manter a rotina de treinos em dia?

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O novo modelo do TotalPass e o impacto imediato nos repasses

Primeiramente, é importante entender como funcionava o sistema anterior. Antes das mudanças, quando um aluno atingia 14 check-ins mensais, a academia recebia R$ 224. Contudo, com o novo formato do TotalPass, esse valor caiu para R$ 196 — uma redução significativa. Além disso, mesmo que o cliente treine todos os dias do mês, o pagamento continua limitado a apenas 14 acessos. Ou seja, o esforço extra não é remunerado.

Prejuízo acumulado em poucos meses

Um empresário da capital baiana, que preferiu não se identificar, revelou que as alterações foram comunicadas em novembro, sem espaço para negociação. Desde então, ele acumula um prejuízo de quase R$ 12 mil em apenas quatro meses. “Em novembro, perdemos cerca de R$ 3 mil. Dezembro e janeiro seguiram no mesmo ritmo. Em fevereiro, já chegamos a R$ 1,9 mil de perda, especialmente porque vários alunos migraram para planos mais caros”, detalhou.

Além disso, o TotalPass representa, em média, 50% do faturamento dessa academia. Portanto, recusar as mudanças significaria perder o convênio e, possivelmente, uma fatia expressiva da receita. “Se a gente não aceita, a gente quebra”, resumiu o gestor, destacando a sensação de estar refém dessas plataformas.

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Por que academias se sentem “presas” ao TotalPass?

Apesar da insatisfação, muitos empresários reconhecem que as plataformas de agregação de academias têm forte presença no mercado corporativo. Consequentemente, deixar de operar com o TotalPass ou com o Wellhub (novo nome do Gympass) pode comprometer a sustentabilidade financeira do negócio, especialmente para pequenos empreendimentos.

Falta de diálogo e suporte direto

Outro ponto crítico apontado pelos donos de academias é a ausência de canais de comunicação ágeis. Segundo o empresário consultado, não há suporte direto: todas as respostas chegam apenas por e-mail. “Não houve consulta prévia. Foi um reposicionamento que não foi solicitado pelas academias”, criticou. Essa postura, na visão dos parceiros, dificulta ainda mais a adaptação às novas regras.

O movimento se espalha: academias pelo Brasil reconsideram parcerias

Na verdade, a situação em Salvador não é um caso isolado. Em 2025 e 2026, diversas academias pelo país anunciaram decisões semelhantes. Por exemplo, a rede Panobianco encerrou a parceria com o TotalPass após disputas judiciais. Da mesma forma, a Velocity deixou a plataforma Wellhub por questões contratuais e por optar por outros modelos de plano.

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Reação dos alunos: divisão de opiniões

Entre os usuários, as percepções variam. Alguns acreditam que academias podem perder clientes ao abandonar benefícios corporativos. Outros, porém, defendem que, se mais estabelecimentos cancelarem os convênios, o poder de negociação pode se inverter, beneficiando os pequenos negócios. “A reação dos alunos variou, mas a maioria entendeu e migrou. Houve quem saísse, mas o saldo foi positivo e nos deixou mais otimistas”, relatou um gestor que restringiu o uso do benefício aos fins de semana.

Após essa mudança, a academia registrou queda de cerca de 30% na frequência nos primeiros 20 dias. No entanto, o público vem se recompondo gradualmente, com expectativa de recuperação total até março. Essa estratégia, portanto, mostra que é possível buscar alternativas sem romper completamente com as plataformas.

Sobrevivência ou rejeição? O dilema dos pequenos negócios

Para os proprietários, a decisão de revisar ou encerrar parcerias não representa rejeição à tecnologia ou aos programas corporativos de bem-estar. Pelo contrário, trata-se de uma estratégia de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. “O mercado está cada vez mais competitivo e desigual entre pequenos negócios e grandes redes”, resume um empresário. “Manter esses convênios, nas condições atuais, significa operar no prejuízo.”

Diante desse cenário, vale refletir: como equilibrar a conveniência das plataformas digitais com a sustentabilidade dos negócios locais? Se você é aluno, que tal conversar com sua academia sobre essas mudanças? Sua voz pode fazer diferença. E se você é gestor, compartilhe sua experiência: juntos, podemos construir um modelo mais justo para todos.

Procurado, o TotalPass não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação da empresa. Já o Wellhub, em nota, informou que respeita as decisões individuais de academias e estúdios sobre seus modelos de negócio e reconhece que a sustentabilidade financeira é um tema central para o setor. A empresa afirmou ainda que segue comprometida com o diálogo e com um modelo de crescimento conjunto.

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