Alimentação saudável nas redes sociais: 68% dos vídeos analisados tinham informações enganosas

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Alimentação saudável virou um dos assuntos mais populares no TikTok e no Instagram. Todos os dias, milhares de vídeos prometem ensinar como emagrecer, escolher os melhores alimentos, usar suplementos e melhorar a saúde.

Porém, um novo estudo levanta um alerta sobre esse tipo de conteúdo. Os pesquisadores analisaram 300 vídeos publicados nas duas plataformas e descobriram que 68% apresentavam informações falsas ou enganosas.

A pesquisa foi publicada no Journal of Technology in Behavioral Science e avaliou conteúdos relacionados a alimentação, nutrição e estilo de vida saudável.

Além disso, os resultados mostraram uma diferença importante entre conteúdos produzidos por profissionais da área da saúde e publicações feitas por influenciadores sem qualificação profissional.

Enquanto 45,5% dos conteúdos publicados por pessoas com credenciais profissionais foram considerados precisos, apenas 4,7% dos vídeos produzidos por influenciadores sem qualificação apresentaram informações consideradas corretas.

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Por que as dicas de alimentação saudável nas redes preocupam?

As redes sociais facilitaram o acesso a informações sobre alimentação. Com poucos segundos de vídeo, uma pessoa pode encontrar receitas, dietas, exercícios e recomendações para perder peso.

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O problema aparece quando uma recomendação sem comprovação científica ganha milhares de visualizações e começa a ser tratada como uma orientação de saúde.

Na pesquisa, os cientistas analisaram 300 vídeos do TikTok e do Instagram. Os conteúdos foram encontrados por meio das hashtags #healthylifestyle, #nutrition e #cleaneating.

Os vídeos foram publicados entre os dias 25 e 27 de maio de 2025. Depois, os pesquisadores avaliaram diferentes características das publicações, incluindo as mensagens sobre alimentação, exercícios, aparência física e saúde.

O resultado chamou a atenção: 68% dos conteúdos analisados continham informações consideradas falsas ou enganosas.

Suplementos e “superalimentos” aparecem em grande parte dos vídeos

Outro dado importante envolve a maneira como os criadores apresentam a alimentação saudável.

Aproximadamente 75% dos vídeos analisados mencionavam suplementos ou os chamados “superalimentos”. Esses conteúdos podem apresentar determinados produtos ou ingredientes como soluções especiais para alcançar saúde, emagrecimento ou melhor desempenho.

Entretanto, um alimento isolado dificilmente explica sozinho os resultados de uma dieta. A qualidade da alimentação depende do conjunto de hábitos e das necessidades individuais.

Além disso, suplementos podem ter indicações específicas. Por isso, transformar um produto em recomendação geral pode levar o público a consumir algo de que não precisa.

Alimentação saudável virou tendência nas redes

A pesquisa também mostrou que aproximadamente metade dos vídeos apresentava a alimentação saudável como uma tendência ou estilo de vida.

Esse formato pode tornar o conteúdo mais atrativo. Afinal, vídeos sobre rotina, receitas, desafios e transformações corporais costumam estimular identificação e engajamento.

No entanto, existe uma diferença entre compartilhar uma experiência pessoal e oferecer uma recomendação nutricional.

Uma estratégia que funcionou para determinada pessoa não necessariamente produzirá o mesmo resultado em outra.

receitas da internet podem estar erradas

Instagram mostrou mais conteúdo relacionado à aparência corporal

Os pesquisadores também encontraram diferenças importantes entre as duas plataformas.

No Instagram, 78% dos vídeos analisados apresentavam algum tipo de objetificação do corpo. No TikTok, esse percentual foi de 48%.

Além disso, o Instagram apresentou uma frequência maior de imagens de pessoas com corpos magros e musculosos.

Esse padrão apareceu em 70,7% dos vídeos do Instagram, enquanto no TikTok esteve presente em 47,3% dos conteúdos analisados.

Os números mostram que as duas plataformas podem apresentar abordagens diferentes quando o assunto envolve alimentação, exercícios e aparência física.

Exercícios também foram apresentados de maneiras diferentes

O estudo encontrou outra diferença relacionada aos exercícios.

No Instagram, apareceram mais conteúdos sobre treinamento de força voltado para mudanças na aparência física.

Já o TikTok apresentou uma quantidade maior de conteúdos relacionados a exercícios aeróbicos e uma visão mais ampla de bem-estar.

Isso mostra que o conceito de saúde pode receber interpretações diferentes dependendo do tipo de conteúdo e da plataforma utilizada.

O conteúdo pode estimular uma relação rígida com a alimentação

Os pesquisadores também procuraram identificar sinais relacionados à ortorexia nervosa.

O termo descreve uma preocupação excessiva com a ingestão de alimentos considerados “puros” ou “saudáveis”. Em situações mais graves, essa preocupação pode levar a regras alimentares extremamente rígidas e sofrimento quando a pessoa não consegue segui-las.

É importante destacar que o estudo não significa que assistir a um vídeo sobre alimentação saudável cause ortorexia. O ponto analisado pelos pesquisadores foi a presença de mensagens que poderiam reforçar uma visão excessivamente rígida sobre alimentação.

Por isso, uma alimentação equilibrada não precisa significar eliminar constantemente alimentos ou seguir listas cada vez maiores de regras.

Quem produz conteúdo sobre alimentação faz diferença

Um dos resultados mais expressivos da pesquisa apareceu quando os pesquisadores compararam os criadores qualificados com aqueles sem formação profissional na área da saúde.

Entre os conteúdos produzidos por pessoas com credenciais profissionais, 45,5% foram classificados como precisos.

Já entre os influenciadores sem qualificação profissional, somente 4,7% dos conteúdos foram considerados precisos.

A diferença não significa que todo profissional produza informações corretas ou que todo influenciador esteja necessariamente errado. Porém, o resultado reforça a importância de verificar a formação e as fontes utilizadas antes de seguir uma recomendação de saúde.

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Ter muitos seguidores não significa ter conhecimento técnico

Nas redes sociais, popularidade e conhecimento científico são coisas diferentes.

Um perfil pode ter milhões de seguidores e, ainda assim, não possuir formação para orientar pessoas sobre dietas, suplementos ou tratamentos.

Da mesma forma, um profissional qualificado pode produzir conteúdo correto mesmo sem alcançar grandes números de visualizações.

Por isso, o número de seguidores, curtidas ou comentários não deve ser usado como prova de que uma recomendação possui respaldo científico.

Mais de 1 em cada 5 usuários toma decisões de saúde influenciado pelas redes

O problema ganha outra dimensão quando observamos como as pessoas utilizam essas informações.

Outro estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), apontou que mais de um em cada cinco usuários de redes sociais afirma tomar decisões relacionadas à saúde com base no conteúdo que encontra nessas plataformas.

Ao mesmo tempo, quase 80% dos participantes consideravam falsas ou enganosas as informações de saúde encontradas nas redes.

Existe, portanto, uma contradição importante: muitas pessoas desconfiam das informações que encontram, mas ainda assim podem utilizá-las para tomar decisões sobre a própria saúde.

Mesmo desconfiando, as pessoas continuam compartilhando

O compartilhamento de conteúdo sobre saúde também continua frequente.

Cerca de 85% dos participantes do estudo disseram que já haviam publicado ou compartilhado informações pessoais ou gerais relacionadas à saúde.

Assim, uma informação incorreta pode passar rapidamente de uma pessoa para outra. Depois de compartilhada várias vezes, ela pode ganhar aparência de verdade simplesmente porque aparece repetidamente em diferentes perfis.

Por isso, antes de compartilhar uma recomendação sobre dieta ou emagrecimento, vale conferir de onde veio a informação.

Como identificar informações duvidosas sobre alimentação saudável?

Nem sempre é fácil reconhecer uma informação enganosa. Alguns vídeos utilizam linguagem convincente, imagens profissionais e depoimentos de pessoas que afirmam ter conseguido resultados expressivos.

Porém, alguns sinais merecem atenção.

  • Promessas de emagrecimento muito rápido;
  • Dietas apresentadas como solução para praticamente todo mundo;
  • Produtos descritos como indispensáveis para ter saúde;
  • Suplementos apresentados como substitutos de uma alimentação equilibrada;
  • Eliminação de grupos alimentares sem uma justificativa adequada;
  • Uso de depoimentos pessoais como principal prova de eficácia;
  • Afirmações como “os médicos não querem que você saiba”;
  • Ausência de estudos, fontes ou referências confiáveis.

Esses sinais não provam automaticamente que uma informação seja falsa. Entretanto, eles indicam que vale investigar melhor antes de seguir a recomendação.

Como pesquisar antes de mudar a alimentação?

Quando uma dica encontrada nas redes sociais parecer interessante, o primeiro passo é procurar a informação em fontes confiáveis.

Instituições de saúde, universidades, revistas científicas e órgãos públicos podem fornecer informações mais completas sobre alimentação e nutrição.

Além disso, quando uma recomendação envolve dieta restritiva, suplementação, tratamento de doenças ou perda significativa de peso, o acompanhamento de um profissional qualificado pode ser importante.

Isso não significa que todo conteúdo das redes sociais seja inútil. Existem profissionais que utilizam essas plataformas para explicar pesquisas, ensinar receitas e divulgar informações de qualidade.

O problema está em tratar qualquer vídeo viral como se fosse uma orientação individualizada.

Alimentação saudável não precisa seguir uma tendência

Os resultados da pesquisa também ajudam a lembrar que uma alimentação saudável não precisa acompanhar todas as tendências que aparecem nas redes sociais.

Um mês pode trazer um novo suplemento. No mês seguinte, outra dieta pode aparecer como a solução definitiva. Depois, um novo alimento pode ganhar o rótulo de “superalimento”.

Entretanto, as necessidades nutricionais do organismo não mudam na mesma velocidade que as tendências da internet.

Uma alimentação equilibrada depende de diversos fatores, como idade, rotina, nível de atividade física, condições de saúde, preferências alimentares e objetivos pessoais.

Por isso, uma estratégia que funciona para um influenciador não deve ser automaticamente transformada em regra para milhões de pessoas.

O que esse estudo mostra sobre as redes sociais?

O estudo não significa que TikTok e Instagram sejam fontes necessariamente ruins de informação. As plataformas também podem aproximar profissionais e público e facilitar o acesso a conteúdos educativos.

Entretanto, os resultados mostram que é preciso ter cuidado com recomendações relacionadas a alimentação saudável, emagrecimento, suplementos e exercícios.

Dos 300 vídeos analisados, 68% apresentaram informações falsas ou enganosas. Além disso, os conteúdos produzidos por pessoas qualificadas tiveram uma taxa de precisão muito maior do que aqueles publicados por influenciadores sem formação na área.

Ao mesmo tempo, o estudo citado pelo JAMA mostra que as informações das redes podem influenciar decisões reais de saúde, mesmo quando os próprios usuários reconhecem que boa parte desse conteúdo não é confiável.

Antes de seguir uma dica viral, procure a fonte

Uma dica de alimentação pode parecer simples, mas uma mudança significativa na dieta pode produzir consequências importantes.

Por isso, antes de eliminar alimentos, iniciar uma dieta restritiva ou comprar um suplemento recomendado em um vídeo, procure descobrir quem produziu o conteúdo e qual evidência sustenta aquela afirmação.

Também vale desconfiar de promessas rápidas e soluções consideradas “milagrosas”. Afinal, saúde e alimentação raramente dependem de uma única mudança.

As redes sociais podem ajudar a encontrar informações sobre alimentação saudável, mas não devem substituir fontes científicas e orientação profissional. Quanto mais importante for a decisão para a saúde, maior deve ser o cuidado antes de transformar uma dica viral em uma mudança na rotina.

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